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A Vila de Julia Debasse.

No dia 28 de setembro tivemos o enorme prazer de visitar o Oi Futuro do Flamengo para apreciar a obra "Vila dos Mistérios" acompanhados pela própria artista. Julia Debasse - carioca de 31 anos, compositora e artista, formada nos cursos livres do Parque Laje - é a autora da obra "Vila dos Mistérios" convidada pelo Projeto Tech_Nô sendo a primeira pintura contida nesse projeto. Este projeto consiste na ocupação de uma vitrine de 13 metros lineares na área externa do Oi Futuro para expor obras de novos artistas ou de nomes já consagrados.






A pintura de Debasse foi inspirada na obra "Villa dei Misteri", afresco de arte romana, sobre a Pompeia que se afogou nas lavas do vulcão. O tom do vermelho encontrado nessa obra original é chamado de “Rosso Pompeiano” e ele é completamente único e exclusivo, já que sua cor deriva das destruições e mudanças físicas sob a obra, que acabaram ocasionando esse novo tom de vermelho. A pintora Julia acentuou durante a conversa com a turma que passou muito tempo focada em tentar copiar com perfeição o tom do vermelho da obra original, mas acabou optando por desistir e se contentar com um tom bem semelhante, o qual ela nomeou "Vermelho Nova Iguaçu"




Convivem harmonicamente pela grande obra de 12 metros: orixás, bate-bolas, beduínos, papaguns, índios mascarados e muito mais. Debasse se preocupou em pintar figuras com adereços que remetessem a diversas culturas diferentes, o que se conectou de modo belíssimo com o friso superior da pintura, que conta com um mosaico de inúmeras paisagens de diferentes lugares de onde as figuras da obra pertencem. 

Um fato curioso foi a explicação sobre a presença de um Tucano no canto da pintura. Julia Debasse explicou que seu filho havia dito que a pintura estava muito feia e, quando Julia perguntou o que ela deveria fazer para melhorar a obra, o filho respondeu: "Coloca um tucano!".



Grupo: Adiel Beatriz, Bruna Monte, Luísa Savi, Marcos Vinícius,Ygor Miranda. 




A Vila de Julia Debasse.

No dia 28 de setembro tivemos o enorme prazer de visitar o Oi Futuro do Flamengo para apreciar a obra "Vila dos Mistérios" acompanhados pela própria artista. Julia Debasse - carioca de 31 anos, compositora e artista, formada nos cursos livres do Parque Laje - é a autora da obra "Vila dos Mistérios" convidada pelo Projeto Tech_Nô sendo a primeira pintura contida nesse projeto. Este projeto consiste na ocupação de uma vitrine de 13 metros lineares na área externa do Oi Futuro para expor obras de novos artistas ou de nomes já consagrados.






A pintura de Debasse foi inspirada na obra "Villa dei Misteri", afresco de arte romana, sobre a Pompeia que se afogou nas lavas do vulcão. O tom do vermelho encontrado nessa obra original é chamado de “Rosso Pompeiano” e ele é completamente único e exclusivo, já que sua cor deriva das destruições e mudanças físicas sob a obra, que acabaram ocasionando esse novo tom de vermelho. A pintora Julia acentuou durante a conversa com a turma que passou muito tempo focada em tentar copiar com perfeição o tom do vermelho da obra original, mas acabou optando por desistir e se contentar com um tom bem semelhante, o qual ela nomeou "Vermelho Nova Iguaçu"




Convivem harmonicamente pela grande obra de 12 metros: orixás, bate-bolas, beduínos, papaguns, índios mascarados e muito mais. Debasse se preocupou em pintar figuras com adereços que remetessem a diversas culturas diferentes, o que se conectou de modo belíssimo com o friso superior da pintura, que conta com um mosaico de inúmeras paisagens de diferentes lugares de onde as figuras da obra pertencem. 

Um fato curioso foi a explicação sobre a presença de um Tucano no canto da pintura. Julia Debasse explicou que seu filho havia dito que a pintura estava muito feia e, quando Julia perguntou o que ela deveria fazer para melhorar a obra, o filho respondeu: "Coloca um tucano!".



Grupo: Adiel Beatriz, Bruna Monte, Luísa Savi, Marcos Vinícius,Ygor Miranda. 




A Vila de Julia Debasse.

No dia 28 de setembro tivemos o enorme prazer de visitar o Oi Futuro do Flamengo para apreciar a obra "Vila dos Mistérios" acompanhados pela própria artista. Julia Debasse - carioca de 31 anos, compositora e artista, formada nos cursos livres do Parque Laje - é a autora da obra "Vila dos Mistérios" convidada pelo Projeto Tech_Nô sendo a primeira pintura contida nesse projeto. Este projeto consiste na ocupação de uma vitrine de 13 metros lineares na área externa do Oi Futuro para expor obras de novos artistas ou de nomes já consagrados.






A pintura de Debasse foi inspirada na obra "Villa dei Misteri", afresco de arte romana, sobre a Pompeia que se afogou nas lavas do vulcão. O tom do vermelho encontrado nessa obra original é chamado de “Rosso Pompeiano” e ele é completamente único e exclusivo, já que sua cor deriva das destruições e mudanças físicas sob a obra, que acabaram ocasionando esse novo tom de vermelho. A pintora Julia acentuou durante a conversa com a turma que passou muito tempo focada em tentar copiar com perfeição o tom do vermelho da obra original, mas acabou optando por desistir e se contentar com um tom bem semelhante, o qual ela nomeou "Vermelho Nova Iguaçu"




Convivem harmonicamente pela grande obra de 12 metros: orixás, bate-bolas, beduínos, papaguns, índios mascarados e muito mais. Debasse se preocupou em pintar figuras com adereços que remetessem a diversas culturas diferentes, o que se conectou de modo belíssimo com o friso superior da pintura, que conta com um mosaico de inúmeras paisagens de diferentes lugares de onde as figuras da obra pertencem. 

Um fato curioso foi a explicação sobre a presença de um Tucano no canto da pintura. Julia Debasse explicou que seu filho havia dito que a pintura estava muito feia e, quando Julia perguntou o que ela deveria fazer para melhorar a obra, o filho respondeu: "Coloca um tucano!".



Grupo: Adiel Beatriz, Bruna Monte, Luísa Savi, Marcos Vinícius,Ygor Miranda. 




A história do mundo através das máscaras

   A obra da artista carioca Júlia Debasse, "Vila dos Mistérios", é daquelas que brinca com os sentidos do espectador. Os olhos que percorrem o painel são responsáveis pela primeira sensação produzida pelo cérebro: medo. Sim, há medo ali, contado de forma irreverente por um traço "cômico", como definido pela artista.
   No que parece uma obra confusa, há estranhamento nas cores. Incapaz de produzir o histórico tom avermelhado do painel "Villa dei Misteri", nas ruínas da antiga Pompéia, a artista buscou no vermelho mais próximo que encontrou do famigerado "rosso pompeiano" o fundo e base da obra. Eis o melhor traço de subjetividade da artista: transformar o mórbido e estranho em vivo e colorido. E, novamente, regido por traços caricatos.
   Há ali uma história: a própria História do mundo. O painel é acompanhado por um rodapé com paisagens do mundo inteiro, enquanto no centro estão as imagens com os mascarados. As máscaras representam não só culturas locais ao redor do globo, como também tempos históricos diferentes. A obra cumpre seu papel dentro da arte contemporânea, ao aliar a ideia de tempo e espaço andando juntos, através de imagens subsequentes.
   Se uma palavra pudesse definir "Vila dos Mistérios", seria "incomum". A junção alegre de morbidez e medo (que existe pelas figuras bisonhas e de olhares penetrantes, como se soubessem que estão sendo observadas) costura uma narrativa que não esperamos ouvir: o mundo visto por trás de máscaras. A estética é agradável pelo envolvimento de cores vibrantes contrastando com o vermelho "quase" pompeiano. Mas obviamente o ponto alto da obra é o tucano, que apesar de desmascarado, foi um pedido especial do filho de Júlia, a fim de contribuir para o conjunto estético da obra.


Grupo: André Abreu, André Machado, Andréia Fernandes, Juliana Salles e Vitória Alves. 

Referências bibliográficas:
Wikipedia

Era dia 24 de agosto do ano de 79 d.C., à uma hora da tarde - segundo a testemunha Plínio, o Jovem - quando Pompéia foi soterrada pela fúria do vulcão Vesúvio, que ergueu uma nuvem negra de vinte quilômetros de altura e cobriu as cidades que ficavam na sua base com mais de 6 metros de lava e cinzas.  As Ruínas de Pompéia somente começaram a ser escavadas em 1748. A preservação era tamanha, que os habitantes, surpreendidos pelo ocorrido, tiveram os corpos mumificados pelas lavas muitas vezes nas mesmas posições em que estavam dormindo, ou conservando semblantes instantâneos. Ou seja, somente no século XVIII foram descobertas pinturas e edificações que acabaram preservadas sob a lava endurecida.  Em meio às ruínas mais famosas da Itália, estava um painel vermelho encontrado na “Villa dos Mistérios”- uma gigantesca mansão, com 60 quartos, datada do séc. II a.C. Tal obra faz referência aos mistérios de Baco e do mundo feminino, apresentado o desenvolvimento de cerimônias de ritos de iniciação. Segundo alguns está relacionado ao encerramento da desinibição provocada por vinhos e alucinógenos. Segundo outros, associa-se a um casamento. Ainda há os que acreditam que faz referência à vida de Deus. De qualquer modo, apresentam seres mitológicos. Esse afresco apresenta um vermelho intitulado “Rosso Pompeiano”, que não pode ser recriado artificialmente, pois surgiu nos afrescos de Pompéia após a explosão do Vesúvio em cima do que era um amarelo ocre, devido à exposição ao óxido de ferro.
Em 19 de setembro do presente ano de 2016, é exposta no espaço Oi futuro Flamengo, a obra “Vila dos Mistérios”, da artista carioca Júlia Debasse, em um painel de 12 metros no qual são apresentadas figuras de orixás, beduínos e índios mascarados. Júlia Debasse é a primeira a expor uma pintura no espaço exterior do oi futuro flamengo. Seguindo a ideia dos mistérios, a artista desenvolve uma maravilhosa releitura do afresco de Pompéia. Infelizmente, não podendo reproduzir o famoso e inatingível “rosso pompeiano”, ela brica ter aceitado usar o “vermelho Nova Iguaçu”.  É um painel que apresenta pessoas com máscaras utilizadas por diferentes culturas, em diferentes períodos da história. Tais figuras estão colocadas na obra seguindo a configuração do painel pompeiano. São notadas marcas da artista, como o lobo guará e outros representantes da fauna brasileira, substituindo outros animais que o afresco antigo apresentava. No lugar dos frisos superiores geometrizados da obra que antecede Cristo, encontram-se marcos dos locais cujas máscaras estão representadas ao longo da obra. A primeira representação no friso é do vulcão Vesúvio, cuja erupção gerou o “rosso pompeiano” que hoje é observado nos afrescos das ruínas de Pompéia. Mais ou menos no centro da pintura destaca-se uma figura sendo desmascarada, que faz referência a uma das cenas da obra milenar onde há de fato uma máscara sendo erguida. Foi daí que, segundo a artista, chegou a ideia do trabalho com as máscaras. Enquanto na obra pompeiana, a única máscara presente é a que está sendo tirada de um personagem, na obra carioca de Debasse, o personagem equivalente é o único desmascarado. O estilo da pintura visa estreitar a divisão entre o que deveria ser sério e o que poderia ser cômico, havendo uma relação com arte popular. A alegria das cores é forte no trabalho de Debasse. A artista lembra que a função narrativa foi muito presente na obra, sendo mais importante do que a forma de representação em si, logo, há maior preocupação com o conteúdo do que com a forma das figuras. A “sequência” do painel pode ser interpretada como sendo da esquerda para a direita, devido à lógica narrativa do trabalho. Talvez possamos ainda comentar sobre a cor de fundo da parede no espaço de apresentação: amarelo ocre, que aparece nas laterais do mural. Tal cor talvez tenha sido escolhida fazendo referência à cor original da pintura do século II a.C., antes da erupção do vulcão Vesúvio. Vale salientar que Júlia Debasse admira muito as diferentes interpretações que o público apresenta de suas obras, sendo, para ela, saber que um espectador se relacionou de alguma forma pessoal com a obra, uma das grandes gratificações da arte.


A incrível conservação pós Vesúvio 

Pintura preservada em Pompéia

Trecho do painel pompeiano e seu referente no trabalho de Debasse (o homem sendo desmascarado)




Referências:

Grupo: Gabriela, Lívia Macêdo e Sarah Lopes

Era dia 24 de agosto do ano de 79 d.C., à uma hora da tarde - segundo a testemunha Plínio, o Jovem - quando Pompéia foi soterrada pela fúria do vulcão Vesúvio, que ergueu uma nuvem negra de vinte quilômetros de altura e cobriu as cidades que ficavam na sua base com mais de 6 metros de lava e cinzas.  As Ruínas de Pompéia somente começaram a ser escavadas em 1748. A preservação era tamanha, que os habitantes, surpreendidos pelo ocorrido, tiveram os corpos mumificados pelas lavas muitas vezes nas mesmas posições em que estavam dormindo, ou conservando semblantes instantâneos. Ou seja, somente no século XVIII foram descobertas pinturas e edificações que acabaram preservadas sob a lava endurecida.  Em meio às ruínas mais famosas da Itália, estava um painel vermelho encontrado na “Villa dos Mistérios”- uma gigantesca mansão, com 60 quartos, datada do séc. II a.C. Tal obra faz referência aos mistérios de Baco e do mundo feminino, apresentado o desenvolvimento de cerimônias de ritos de iniciação. Segundo alguns está relacionado ao encerramento da desinibição provocada por vinhos e alucinógenos. Segundo outros, associa-se a um casamento. Ainda há os que acreditam que faz referência à vida de Deus. De qualquer modo, apresentam seres mitológicos. Esse afresco apresenta um vermelho intitulado “Rosso Pompeiano”, que não pode ser recriado artificialmente, pois surgiu nos afrescos de Pompéia após a explosão do Vesúvio em cima do que era um amarelo ocre, devido à exposição ao óxido de ferro. 
Em 19 de setembro do presente ano de 2016, é exposta no espaço Oi futuro Flamengo, a obra “Vila dos Mistérios”, da artista carioca Júlia Debasse, em um painel de 12 metros no qual são apresentadas figuras de orixás, beduínos e índios mascarados. Júlia Debasse é a primeira a expor uma pintura no espaço exterior do oi futuro flamengo. Seguindo a ideia dos mistérios, a artista desenvolve uma maravilhosa releitura do afresco de Pompéia. Infelizmente, não podendo reproduzir o famoso e inatingível “rosso pompeiano”, ela brica ter aceitado usar o “vermelho Nova Iguaçu”.  É um painel que apresenta pessoas com máscaras utilizadas por diferentes culturas, em diferentes períodos da história. Tais figuras estão colocadas na obra seguindo a configuração do painel pompeiano. São notadas marcas da artista, como o lobo guará e outros representantes da fauna brasileira, substituindo outros animais que o afresco antigo apresentava. No lugar dos frisos superiores geometrizados da obra que antecede Cristo, encontram-se marcos dos locais cujas máscaras estão representadas ao longo da obra. A primeira representação no friso é do vulcão Vesúvio, cuja erupção gerou o “rosso pompeiano” que hoje é observado nos afrescos das ruínas de Pompéia. Mais ou menos no centro da pintura destaca-se uma figura sendo desmascarada, que faz referência a uma das cenas da obra milenar onde há de fato uma máscara sendo erguida. Foi daí que, segundo a artista, chegou a ideia do trabalho com as máscaras. Enquanto na obra pompeiana, a única máscara presente é a que está sendo tirada de um personagem, na obra carioca de Debasse, o personagem equivalente é o único desmascarado. O estilo da pintura visa estreitar a divisão entre o que deveria ser sério e o que poderia ser cômico, havendo uma relação com arte popular. A alegria das cores é forte no trabalho de Debasse. A artista lembra que a função narrativa foi muito presente na obra, sendo mais importante do que a forma de representação em si, logo, há maior preocupação com o conteúdo do que com a forma das figuras. A “sequência” do painel pode ser interpretada como sendo da esquerda para a direita, devido à lógica narrativa do trabalho. Talvez possamos ainda comentar sobre a cor de fundo da parede no espaço de apresentação: amarelo ocre, que aparece nas laterais do mural. Tal cor talvez tenha sido escolhida fazendo referência à cor original da pintura do século II a.C., antes da erupção do vulcão Vesúvio. Vale salientar que Júlia Debasse admira muito as diferentes interpretações que o público apresenta de suas obras, sendo, para ela, saber que um espectador se relacionou de alguma forma pessoal com a obra, uma das grandes gratificações da arte.

Referências:
https://umpouquinhodecadalugar.com/2015/01/25/as-ruinas-de-pompeia/
http://umolharsobreaarte.blogs.sapo.pt/9370.html
http://multiplosestilos.blogspot.com.br/2009/12/pompeia.html
http://br.blastingnews.com/cultura/2015/03/reabre-ao-publico-a-famosa-villa-dos-misterios-em-pompeia-00316007.html
http://virusdaarte.net/pompeia-a-vila-dos-misterios/
http://www.cenciturismo.com.br/pompeia-uma-incrivel-jornada-de-volta-ao-imperio-romano/
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/09/1815980-encontro-circense-miguel-rio-branco-e-mais-cinco-indicacoes-culturais.shtml
http://www.zeronaldo.com/2016/oi-futuro-abre-exposicao-com-eder-oliveira-julia-debasse-e-denise-cathilina/
https://it.wikipedia.org/wiki/Rosso_pompeiano

 A incrível conservação pós Vesúvio  Afresco de a Vila dos Mistérios
  
Trecho do painel pompeiano e seu referente no trabalho de Debasse (o homem sendo desmascarado)

Era dia 24 de agosto do ano de 79 d.C., à uma hora da tarde - segundo a testemunha Plínio, o Jovem - quando Pompéia foi soterrada pela fúria do vulcão Vesúvio, que ergueu uma nuvem negra de vinte quilômetros de altura e cobriu as cidades que ficavam na sua base com mais de 6 metros de lava e cinzas.  As Ruínas de Pompéia somente começaram a ser escavadas em 1748. A preservação era tamanha, que os habitantes, surpreendidos pelo ocorrido, tiveram os corpos mumificados pelas lavas muitas vezes nas mesmas posições em que estavam dormindo, ou conservando semblantes instantâneos. Ou seja, somente no século XVIII foram descobertas pinturas e edificações que acabaram preservadas sob a lava endurecida.  Em meio às ruínas mais famosas da Itália, estava um painel vermelho encontrado na “Villa dos Mistérios”- uma gigantesca mansão, com 60 quartos, datada do séc. II a.C. Tal obra faz referência aos mistérios de Baco e do mundo feminino, apresentado o desenvolvimento de cerimônias de ritos de iniciação. Segundo alguns está relacionado ao encerramento da desinibição provocada por vinhos e alucinógenos. Segundo outros, associa-se a um casamento. Ainda há os que acreditam que faz referência à vida de Deus. De qualquer modo, apresentam seres mitológicos. Esse afresco apresenta um vermelho intitulado “Rosso Pompeiano”, que não pode ser recriado artificialmente, pois surgiu nos afrescos de Pompéia após a explosão do Vesúvio em cima do que era um amarelo ocre, devido à exposição ao óxido de ferro. 
Em 19 de setembro do presente ano de 2016, é exposta no espaço Oi futuro Flamengo, a obra “Vila dos Mistérios”, da artista carioca Júlia Debasse, em um painel de 12 metros no qual são apresentadas figuras de orixás, beduínos e índios mascarados. Júlia Debasse é a primeira a expor uma pintura no espaço exterior do oi futuro flamengo. Seguindo a ideia dos mistérios, a artista desenvolve uma maravilhosa releitura do afresco de Pompéia. Infelizmente, não podendo reproduzir o famoso e inatingível “rosso pompeiano”, ela brica ter aceitado usar o “vermelho Nova Iguaçu”.  É um painel que apresenta pessoas com máscaras utilizadas por diferentes culturas, em diferentes períodos da história. Tais figuras estão colocadas na obra seguindo a configuração do painel pompeiano. São notadas marcas da artista, como o lobo guará e outros representantes da fauna brasileira, substituindo outros animais que o afresco antigo apresentava. No lugar dos frisos superiores geometrizados da obra que antecede Cristo, encontram-se marcos dos locais cujas máscaras estão representadas ao longo da obra. A primeira representação no friso é do vulcão Vesúvio, cuja erupção gerou o “rosso pompeiano” que hoje é observado nos afrescos das ruínas de Pompéia. Mais ou menos no centro da pintura destaca-se uma figura sendo desmascarada, que faz referência a uma das cenas da obra milenar onde há de fato uma máscara sendo erguida. Foi daí que, segundo a artista, chegou a ideia do trabalho com as máscaras. Enquanto na obra pompeiana, a única máscara presente é a que está sendo tirada de um personagem, na obra carioca de Debasse, o personagem equivalente é o único desmascarado. O estilo da pintura visa estreitar a divisão entre o que deveria ser sério e o que poderia ser cômico, havendo uma relação com arte popular. A alegria das cores é forte no trabalho de Debasse. A artista lembra que a função narrativa foi muito presente na obra, sendo mais importante do que a forma de representação em si, logo, há maior preocupação com o conteúdo do que com a forma das figuras. A “sequência” do painel pode ser interpretada como sendo da esquerda para a direita, devido à lógica narrativa do trabalho. Talvez possamos ainda comentar sobre a cor de fundo da parede no espaço de apresentação: amarelo ocre, que aparece nas laterais do mural. Tal cor talvez tenha sido escolhida fazendo referência à cor original da pintura do século II a.C., antes da erupção do vulcão Vesúvio. Vale salientar que Júlia Debasse admira muito as diferentes interpretações que o público apresenta de suas obras, sendo, para ela, saber que um espectador se relacionou de alguma forma pessoal com a obra, uma das grandes gratificações da arte.

Referências:
https://umpouquinhodecadalugar.com/2015/01/25/as-ruinas-de-pompeia/
http://umolharsobreaarte.blogs.sapo.pt/9370.html
http://multiplosestilos.blogspot.com.br/2009/12/pompeia.html
http://br.blastingnews.com/cultura/2015/03/reabre-ao-publico-a-famosa-villa-dos-misterios-em-pompeia-00316007.html
http://virusdaarte.net/pompeia-a-vila-dos-misterios/
http://www.cenciturismo.com.br/pompeia-uma-incrivel-jornada-de-volta-ao-imperio-romano/
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/09/1815980-encontro-circense-miguel-rio-branco-e-mais-cinco-indicacoes-culturais.shtml
http://www.zeronaldo.com/2016/oi-futuro-abre-exposicao-com-eder-oliveira-julia-debasse-e-denise-cathilina/
https://it.wikipedia.org/wiki/Rosso_pompeiano

 A incrível conservação pós Vesúvio  Afresco de a Vila dos Mistérios
  
Trecho do painel pompeiano e seu referente no trabalho de Debasse (o homem sendo desmascarado)http://virusdaarte.net/pompeia-a-vila-dos-misterios/